Chapada Diamantina – Parte I

Pense num lugar com: dezenas de cachoeiras lindas de água em tons de preto, vermelho e amarelo, grutas e rios de água azul cristalina, cavernas cheias de estalactites e estalagmites, ruínas da época do garimpo e um pantanal cheio de pássaros e vitórias régeas. A Chapada Diamantina reúne tudo isso!

O Parque Nacional da Chapada Diamantina é enorme e espalhado, e você pode escolher entre algumas cidades bases (Lençóis, Mucugê, Igatu, Vale do Capão, Ibicoara) pra se hospedar dependendo do roteiro que queira fazer.

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Nós ficamos em Mucugê para explorar o sul e em Lençóis para explorar o norte do parque, e adoramos as duas cidades! 

Não tem uma época ideal pra ir lá, mas de abril a setembro os raios solares incidem direto nos Poços Encantado (de 9h às 13h) e Azul (de 12h às 14h) e na Gruta Azul (de 14h às 15h30), então se esses lugares estiverem no seu roteiro, vale tentar ir nesses meses. Nós fomos em abril.

O mapa ao lado foi oferecido pela nossa pousada.

 

 

 

Nosso roteiro foi assim:

Dia 1: Mucugê – Mirante da Pousada Pé de Serra e voltinha pela cidade.
Dia 2: Mucugê – Cachoeira da Fumacinha.
Dia 3: Mucugê – Poço Encantado, Poço Azul, Lapa do Bode e Igatu.
Dia 4: Mucugê – Cachoeira do Buracão, cachoeira das Orquídeas e Mirante do Campo Redondo.
Dia 5: Mucugê -> Lençóis (147 km). Museu do Garimpo e Toca do Morcego.
Dia 6: Lençóis – Gruta da Pratinha, Gruta Azul e Morro do Pai Inácio.
Dia 7: Lençóis – Gruta da Lapa Doce e Rio Mucugêzinho (Poço do Diabo).
Dia 8: Lençóis – Pantanal de Marimbus e cachoeira do Roncador.
Dia 9: Lençóis – Cachoeira do Mosquito.
Dia 10: Lençóis – Parque da Muritiba.

Como chegar? Nós saímos de Recife de carro, dirigimos 7h (494 km) até Aracaju/SE, dormimos lá no Ibis Budget e no dia seguinte dirigimos mais 8h30 (665 km) até Mucugê. Na volta, dormimos em Aracaju de novo. Dá pra fazer 14h direto de Recife pra lá, mas boa parte das estradas são pista única e tem muitos caminhões. Achamos melhor parar pra descansar. A maioria das pessoas que vem de longe voa até Salvador e aluga um carro pra dirigir até a Chapada Diamantina – até Lençóis são 5h (417 km) e até Mucugê são 6h (469 km) – ou então voa direto pra Lençóis, pro pequeno aeroporto que tem lá, uns 20 km do centro da cidade (a Azul Linhas Aéreas  tem voos a partir de Salvador/BA, Confins/MG e São Paulo/SP).

A cidade de Mucugê é uma graça, cheia de casarios antigos coloridinhos, bem fofos! Boas opções de restaurantes e pousadas, e uma vibe bem tranquila, familiar e alegre. O clima lá é de montanha, então de noite faz um friozinho gostoso, dá até pra dormir de cobertor. Nós nos hospedamos na pousada Refúgio na Serra e gostamos muito. A localização é ótima, são vários chalés simples e confortáveis, muito verde, o café da manhã é um banquete com variedade de frutas, sucos, bolos, ovos, macaxeira, cuscus, munguzá… Eles preparam um lanche pra levarmos na trilha por 15 reais e os donos da pousada, Zé e Cecília, são uns amores! O Zé sabe tudo da Chapada Diamantina, nos deu várias dicas boas!

Pousada Refúgio na Serra

Dia 1: Logo que chegamos em Mucugê, fizemos a trilha curtinha até o mirante que fica dentro da pousada Pé de Serra, pra vermos a vista da cidade. É só chegar na pousada e pedir pra um dos funcionários pra ver o mirante que eles mostram onde fica a trilha. Depois passeamos um pouquinho pela cidade.

Mirante da pousada Pé de Serra

Casarios coloridos de Mucugê

Dia 2: Fizemos a trilha da cachoeira Fumacinha com o guia Petrônio (celular: 75 98349-1273). É necessário um guia para essa trilha e ele nos cobrou 250 reais. Existem 3 maneiras de fazer a trilha da Fumacinha: por cima, por baixo ou os dois juntos.  Nós fizemos os dois juntos e quase morremos de cansaço! É uma trilha muito puxada mesmo. Então atenção: só faça essa trilha se você tiver um preparo físico de atleta, se você não tiver medo de altura e se tiver muito espírito aventureiro.  Se você não se identifica com nenhum dos itens citados, aconselho fazer a trilha só por baixo, que pra mim foi a parte mais bonita, saindo de Ibicoara com um guia de lá. É só ir na Associação de Condutores de Ibicoara e contratar o guia na hora.

A trilha por cima e por baixo tem 26 km, uma parte plana, uma parte pulando pedras no rio e outra (terrível) parte descendo uma fenda entre paredões de pedra, onde você tem que usar as mãos e as pernas o tempo todo e com muita atenção, porque qualquer vacilo pode significar cair de um penhasco e se machucar feio. Nós não tínhamos ideia que seria assim, dá um certo medo. Conversamos com o guia e ele só falou que era uma caminhada longa e que tínhamos que descer uma fenda (eu imaginei que teriam escadas, mas só tem uma escada de corda curtinha, 90% da descida é se equilibrando nas pedras), ele não disse nada sobre o nível de dificuldade da trilha. Pra fazer por cima, a saída pode ser feita por Mucugê ou Ibicoara. Por baixo, só por Ibicoara. Existe um “código” entre os guias das cidades bases, onde os guias de Ibicoara devem  fazer certas trilhas e os guias de Mucugê, outras. Então rola essa disputa. A trilha da Fumacinha por baixo deve ser feita apenas por guias de Ibicoara, e muitas pessoas vão parando e acampando pelo caminho. Só que essa trilha por cima e por baixo pode ser feita pelos guias de Mucugê também.

A cachoeira da Fumacinha é linda! Valeu o sufoco pra chegar lá! Começamos o passeio umas 8h e terminamos 20h. Bem cansativo.

Trilha da Fumacinha por cima

Descendo a fenda

Trilha da Fumacinha por baixo

Pôr do sol na trilha

Dia 3: Fomos no Poço Azul, Poço Encantado, Lapa do Bode e Igatu. Esses passeios não necessitam de guia (existem placas no caminho e o GPS do Google Maps mesmo leva até os poços) , mas como era feriado de Páscoa e estávamos com medo das filas, contratamos o guia Petrônio pra não correr o risco de nos perder no caminho e perder tempo. Ele nos fez um desconto, pois fizemos a trilha da Fumacinha com ele no dia anterior, e nos cobrou 90 reais esse dia.

O melhor seria fazer primeiro o Poço Encantado e depois o Poço Azul, pois os raios solares incidem com mais intensidade no Poço Encantado pela manhã (de 9h à 13h) e no Poço Azul de tarde (12h à 15h). Mas como era feriado e as filas costumam ser grandes, fizemos o roteiro invertido e fugimos das filas (já vi relatos de até 4h de fila pra ir conhecer o Poço Azul em feriados). Ambos os poços tem uma estrutura com restaurantes e estacionamento.

No Poço Azul você pode fazer a flutuação. Custa 30 reais por pessoa e inclui o aluguel do snorkel, máscara e colete. Vale a pena!

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Poço Azul

O Poço Encantado é apenas para contemplação, lá não é permitido banho. Você paga 30 reais pra conhecer. É incrível, lindo!

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Poço Encantado
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Poço Encantado (foto com flash)

Almoçamos no restaurante do Poço Encantado e depois fomos conhecer a Lapa do Bode.

Lapa do Bode

De lá, fomos até Igatu, a “Machu Pichu da Chapada Diamantina”. A cidade é bem pequena, tem cerca de 400 habitantes hoje em dia, mas na época do garimpo chegou a ter 9 mil habitantes. Com a fabricação do diamante sintético, os diamantes da região ficaram desvalorizados e a atividade do garimpo perdeu força. A cidade é cheia de ruínas da época do garimpo e já foi cenário de alguns filmes. Passeamos pela cidade e fomos na Galeria Arte e Memória, que tem um museu a céu aberto exibindo objetos utilizados pelos garimpeiros, uma pequena galeria de arte contemporânea e um café charmoso.  A cidade tem um túnel de mineração antigo chamado “Mina Brejo-Verruga”, onde um dos antigos mineiros guia o passeio e fala das condições de trabalho das minas. Não tivemos tempo de fazer esse passeio, mas fica a dica.

Cidadezinha de Igatu

Galeria Arte e Memória

Dia 4: Fomos até Ibicoara e na ACI (Associação de Condutores de Ibicoara) contratamos o guia Ademario (celular: 77 98124-8490) pra nos levar na cachoeira do Buracão por 120 reais. No caminho pra lá paramos no Mirante do Campo Redondo.

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Mirante do Campo Redondo

A cachoeira do Buracão fica no Parque Natural do Espalhado na cidade de Ibicoara, você paga 6 reais por pessoa pra entrar e é necessário estar acompanhado por um guia de turismo do município pra ir até lá. A trilha dura 40 minutos, é bem bonita e tranquila de fazer. Você nada, de colete salva vidas, por um cânion estreito até chegar numa clareira com a cachoeira de 85 m de queda. É sensacional!

Muitos recomendam deixar esse passeio para o final da viagem, por essa ser considerada a melhor cachoeira da Chapada Diamantina. Sem dúvida foi a cachoeira que mais gostei. As fotos não conseguem retratar a beleza do lugar, só indo mesmo pra saber.

Cachoeira do Buracão

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Cachoeira do Buracão vista de cima

De lá, fomos na cachoeira das Orquídeas, que é no caminho. Ficamos curtindo ali um tempo, super gostosinho.

Cachoeira das Orquídeas

O parque é bem bonito e é uma delícia passear por ele! Aqui vão fotos do percurso:

Parque Natural do Espalhado

De noite, demos uma passada na Igreja da Matriz de Santa Isabel em Mucugê e vimos uma procissão religiosa (feriado de Páscoa).

Igreja da Matriz de Santa Isabel e procissão religiosa

Dia 5: Dia de ir embora de Mucugê, infelizmente. Descansamos na pousada, curtindo a rede da nossa varandinha até 12h e depois caímos na estrada com destino a Lençóis (147 km de distância).  No caminho, visitamos o Museu Vivo do Garimpo, a Toca do Morcego e almoçamos uma deliciosa comida caseira no restaurante Cabana Rústica.

O Museu do Garimpo fica na estrada que leva até Lençóis e é bem sinalizado por placas. Você estaciona próximo, caminha pela vegetação numa trilha curta e bem marcada até a base do museu, onde o processo de produção de diamantes é detalhado, e também até ruínas de casas de garimpeiros. A entrada é 10 reais por pessoa.

Museu Vivo do Garimpo

Depois paramos na Toca do Morcego, onde você pode fazer uma trilha até o rio para dar um mergulho, apreciar a vista do mirante e comprar cristais, pedras, bijuterias, filtros de sonhos… Eu comprei um pingente de quatzo azul lindo por 10 reais!

Toca do Morcego

Cabana Rústica

Onde comer em Mucugê? Fizemos ótimas refeições por lá. No restaurante Cascalho (que fica na pousada Refúgio na Serra) comemos um bife à parmegiana com purê de batata e tomates temperados delicioso! Bem ao lado fica o restaurante Garagem, onde comemos uma pizza muito boa! Lá se come com a mão mesmo e a pizza tem massa fina, do jeito que eu gosto! Outra pizza muito boa é do restaurante Capim Rosa Chá que é bem fofo. Pra quem gosta de hamburger artesanal, no Sertãozinho tem várias opções boas, mas lá (estranhamente) não se vende bebidas, compramos as bebidas no mercadinho do lado. E como de noite faz um friozinho gostoso, adoramos tomar um chocolate quente no Café.com curtindo uma música ao vivo.  Delícia de vida noturna nessa cidadezinha!

Restaurante Garagem

Capim Rosa Chá

Sertãozinho

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Café.com

Apresentação artística na praça e música ao vivo nos bares.

O relato da viagem continua no próximo post!

Beijoca,

Pri


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